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Art. 331 — Desacato
Desacatar funcionário público no exercício da função
ou em razão dela:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
O que diz nossos Tribunais a respeito de delito:
O crime de desacato se configura por qualquer palavra que redunde em vexame,
humilhação, desprestígio ou irreverência ao
funcionário público. (TACRIM-SP — AC — Relator
Manoel Pedro — RT n. 369/277).
A ofensa constitutiva do desacato é qualquer palavra ou ato que
redunde em vexame, humilhação, desprestígio ou irreverência
ao funcionário. É a grosseira falta de acatamento, podendo
consistir em palavras injuriosas, difamatórias ou caluniosas, vias
de fato, agressão física, ameaças, gestos obscenos,
gritos agudos etc. (TAMG — AC — Relator Sylvio Lemos —
RT n. 409/427).
O desacato, em tese, se objetiva por meio de qualquer palavra ou ato que
redunde em desprestígio ou irreverência ao funcionário,
tais como a grosseira falta de acatamento, ameaças e expressões
proferidas em altos brados, ainda que não contumeliosas. (TJSP
RHC — Relator Humberto da Nova — RT n. 466/316). No mesmo
sentido: JUTACRIM 23/342-343, 64/269, 81/465 e 83/287; RT n. 595/378.
O desacato aperfeiçoa-se na intenção de aviltar,
amesquinhar o funcionário público em razão de seu
ofício ou quando estiver no exercício de suas funções.
Quando o insulto atingir, no máximo, a honra subjetiva, não
se configura o delito. (TACRIM-SP — AC — Relator Marrey Neto
— RT n. 649/284).
A certidão lavrada por oficial de justiça que documenta
claramente o delito de desacato contra ele praticado, quando no exercício
de suas funções, é suficiente para fundamentar o
decreto condenatório, vez que esse funcionário goza de fé
pública e a presunção de veracidade de seus atos,
conquanto seja juris tantum, somente poderá ser destruída
mediante prova convincente. (TACRIM-SP — AC — Relator Sidnei
Beneti — RT n. 661/1.296).
Sem a vontade livre e consciente de menosprezar, no funcionário,
a função pública, expondo-se ao desprestígio,
não se integra o desacato. Essa tem sido a razão pela qual
a jurisprudência tem afastado o reconhecimento do delito nas hipóteses
em que as ofensas são proferidas por ébrios ou por indivíduos
que, no momento, se mostram possuídos de intenso descontrole nervoso.
(TACRIM-SP — AC — Relator Cid Vieira — JUTACRIM 75/189).
Se a embriaguez, ainda que incompleta, é paralisadora dos processos
psíquicos mais elevados, é evidente que tal estado não
se harmoniza com o fim certo e deliberado, estatuído na própria
tipicidade, para a caracterização do desacato. A intoxicação
alcoólica obsta a que o agente tenha condições de
atuar com intenção certa, determinada, qualificada, e a
figura exige, ao ser realizada, que o agente atue com a finalidade específica
de desacatar. (TACRIM-SP — AC — Relator Silva Franco —
RT n. 526/392).

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