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Um novo horizonte para a Segurança
Pública
José Vieira da Silva Junior · São Paulo (SP) ·
24/3/2010
Bacharel em Direito, Escrivão de Polícia
2º Secretário da Associação dos Escrivães
de Polícia do Estado de São Paulo - AEPESP
Diretor Sindical do Diretório Municipal do PTB/Campinas/SP
Tramitam pelo Congresso Nacional
várias iniciativas visando alterar o sistema de segurança
pública no país, mas poucas delas conseguem ser originais
o suficiente para verdadeiramente alterar o caos em que o setor se encontra.
Há defensores ardorosos de algumas Instituições Policiais
que pregam a supremacia de uma sobre a outra, bem como aqueles que entendem
que quanto mais polícias melhor, o que é errado.
São Paulo é o Estado mais rico da Federação
e nem por isso consegue cuidar da segurança pública a contento,
seja por questões de planejamento ou alegada falta de recursos.
No entanto, é curioso como algumas situações nos
mostram que a realidade das ruas dá o caminho a ser seguido e os
políticos não percebem, da mesma forma que os técnicos
do setor, obnubilados pela necessidade de apresentar resultados minimamente
satisfatórios em curto espaço de tempo e de conseguir melhores
condições de trabalho para seus efetivos.
Cito como exemplo as ações das guardas municipais da região
metropolitana de Campinas/SP. Muito bem organizadas pelos seus municípios,
elas mostraram vigor e capacidade ao realizarem uma operação
conjunta bem sucedida ao final do ano passado, a ponto de haver preocupado
o comando local da Polícia Militar.
Agora, o Governo do Estado envia a ROTA - Rondas Ostensivas Tobias de
Aguiar - para potencializar a capacidade de enfrentamento da PM ante a
escalada do crime na região.
Dessas duas situações, depreende-se, primeiro, que o efetivo
da Polícia Militar é insuficiente e carece de policiais
adaptados a confrontos mais enérgicos com a criminalidade, chegando-se
ao ponto de se ouvir dizer que os "boinas pretas", denominação
simpática dada aos integrantes da ROTA, impuseram mais respeito
aos bandidos do que seus colegas que atuam em unidades normais.
A segunda idéia que surge é a de que não há
tanta diferença, como alguns querem dizer, entre a atuação
do policial militar e aquela desenvolvida pelo guarda municipal, injustamente
relegado a segundo plano quando se fala em segurança pública.
A realidade grita e muitos são surdos ou assim se fazem diante
dela.
Estruturas megalíticas tendem a acabar pela necessidade de melhores
resultados em curto espaço de tempo e de menores e criteriosos
gastos para tanto.
Acredito que o policiamento ostensivo comum deva ser realizado pelos guardas
municipais, homens e mulheres que vivem a rotina da cidade, tendo nela
suas famílias, formando um leque de relacionamentos, fato que alicerça
uma responsabilidade muito maior para si.
A polícia militar deve ser restrita a grupos destinados a ações
ostensivas especializadas, potencialmente mais perigosas e que exijam
técnicas mais apuradas, atuando somente em casos graves, a pedido
dos municípios.
É evidente que inúmeros municípios brasileiros não
têm condições de manter um efetivo policial, incumbindo,
neste caso, à União, Estados e Municípios repartirem
a conta, como já está sendo sugerido no Congresso Nacional
por meio das Propostas de Emenda à Constituição que
tratam dos vencimentos dos policiais militares e civis.
Não se trata aqui de prestigiar esse ou aquele segmento, mas sim
de tornar mais racional e moderno o sistema de segurança pública
existente.
No mesmo caminho, algumas ocorrências de trânsito, bem como
os chamados crimes de menor potencial lesivo poderiam ser objeto do trabalho
dessa guarda civil remodelada, criando chance efetiva para que a celeridade
do rito criado pela lei 9.099/95 seja atingida, diferente do que ocorre
hoje nas Delegacias de Polícia.
A Polícia Judiciária, ao lado da Científica, continuariam
subordinadas aos Estados, mas teriam que ser remodeladas com menos carreiras
policiais e melhor estrutura funcional, além de contemplar servidores
administrativos exclusivamente para cuidar da burocracia administrativo-policial,
de modo a impedir desvios de função.
Nesse viés, os Corpos de Bombeiros devem perder seu caráter
militar, mantendo-se na estrutura do Estado e assumindo o controle total
da defesa civil em cada Ente da Federação.
São idéias polêmicas, que implicariam em uma revisão
ampla da Constituição da República, remodelamento
do sistema de custeio dessas estruturas, revisão da formação
dada aos policiais, criação de novos métodos de gestão
da segurança pública, e o mais difícil: uma mudança
radical na atrasada, diria até pré-histórica, cultura
policial.
É bom que a sociedade começe a discutir essas possibilidades
para que possamos dar um passo real e firme rumo à manutenção
da paz e segurança para nossas famílias.
José Vieira da Silva Junior
Bacharel em Direito, Escrivão de Polícia
2º Secretário da Associação dos Escrivães
de Polícia do Estado de São Paulo - AEPESP
Diretor Sindical do Diretório Municipal do PTB/Campinas/SP
Fonte: www.forumseguranca.org.br
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