CONSERVAÇÃO PERMANENTE
ABRIL DE 2007: MEIO SÉCULO DO PARQUE SÃO FRANCISCO
Em cinqüenta anos de existência, o parque, que foi criado inicialmente com uma área de 33 hectares, posteriormente ampliada para 110 hectares, sempre foi uma referência regional. Sua criação nasceu da visão precocemente ambientalista dos administradores da época, cuja mira era preservar as nascentes do Córrego dos Cunhas que, somando suas águas às do Córrego dos Veados, era responsável por grande parte do abastecimento da cidade. A bem da verdade, cinqüenta anos depois, esses mananciais ainda hoje oferecem significativa contribuição no abastecimento público. Transformar o parque em uma das maiores e mais bem equipadas ferramentas de educação científica e socioambiental da região, além de sua indiscutível utilidade de preservação do ambiente, é o sonho e a motivação de muitos educadores, ambientalistas, cientistas, estudiosos e cidadãos varginhenses. Não faltam ideais e idéias para a realização de projetos que utilizem o parque como instrumento educacional ou de recreação e lazer. Mas, a realidade se mostra dissociada do idealizado e do necessário. Infelizmente, sem consciência de sua importância, muitos moradores da região e alguns turistas eventuais depositam resíduos domésticos e corpos de animais mortos no parque. Mas esse não é o único problema que o parque enfrenta. As invasões, uso inadequado clandestino, vandalismo e as queimadas provocam danos mais graves. Não existe um sistema de vigilância e isso serve como incentivo aos invasores e detratores, criando um clima de insegurança para os usuários bem-intencionados, como reclamam os moradores dos bairros do entorno e os professores que muitas vezes conduzem alunos em visitas ecológicas.
Não virão sem tempo. Afinal, na maturidade de seus cinqüenta anos, o Parque São Francisco, composto por biomas típicos de pastagens, cerrado, alagado e Mata Atlântica, aguarda que esportistas, cientistas, educadores e turistas façam uso de forma mais apropriada de tamanha riqueza ambiental. Espera servir de exemplo e local de visitação para outros municípios. Quer soprar e apagar não apenas uma vela, mas todas as velas, fósforos, tocos de cigarros que, lá dentro, o ameaçam com queimadas; quer se purificar do lixo, do uso impróprio e do espírito ruim do vandalismo e da degradação que o assombra. Quer, enfim, encontrar não só o respeito e a dignidade que merece como também a se posicionar na relevante importância que tem para a educação, o lazer e o turismo na cidade. A Guarda Municipal de Varginha pode muito mais!
Sabe que precisa vencer a violência e a miséria. Que o desemprego e a falta de instrução são inimigos do bem estar comum e colocam em risco a a existência e a coexistência pacífica da espécie. Sabe que não se pode falar em meio ambiente ecologicamente equilibrado referindo-se apenas ao meio ambiente natural – ar, água, solo, fauna e flora – mas que o equilíbrio ambiental se escora no tripé: natureza, sociedade e economia. Sem um desses pés, os outros dois desabam. O ecologista moderno engaja-se nessa guerra consciente de que somente a vitória poderá fazer com que o mundo seja viável para as futuras gerações. E, por isso, luta sem se descuidar um só momento, e luta bravamente. Aqui está um pequeno plano de ação, com batalhas que você pode lutar e vencer: Assuma uma missão ecológica diária: Todos os dias, determine-se alguma ação concreta em prol do ambiente. Se não puder fazer algo grande, faça uma tarefa simples: coleta seletiva em sua casa, um plano para economizar energia e água ou para o consumo útil e consciente. Destine-se uma tarefa como, por exemplo, catar dez garrafas ou latas de bebidas que estiverem espalhadas em vias públicas ou terrenos baldios e coloque-as apropriadamente no lixo.Use a criatividade. Faça uma agenda de conscientização ecológica: Adquira uma agenda, ou um caderno, e anote todos os dias, como em um diário, de um lado, em uma primeira coluna, as boas ações socioambientais praticadas. Faça um exame de consciência e anote em uma segunda coluna os atos ecologicamente incorretos (jogar lixo em lugares impróprios, quebrar ou danificar árvores ou arbustos etc) e as omissões (poderia ter gasto menos eletricidade, gasto menos água, poderia ter ajudado a plantar uma árvore etc). Esforce-se permanentemente para que a cada dia mais ações sejam registradas na primeira coluna e menos na segunda. Adote uma árvore: Escolha uma árvore em uma praça pública e cuide dela. Peça ajuda a pessoal especializado. Acompanhe seu crescimento. Informe-se sobre sua espécie e suas características próprias. Observe a vida que depende dela (pássaros, insetos etc). Exerça a cidadania: Anote as boas ideias que beneficiem o meio socioambiental. Apresente suas ideias aos órgãos oficiais responsáveis. Apresente-as aos políticos (prefeito, secretários, vereadores) de sua cidade. Cobre o resultado das ações apropriadas. Fiscalize a execução das obras. Una-se a outras pessoas, interessadas na solução dos mesmos problemas, para juntos exercerem com mais eficácia esse controle. Participe: Exerça com energia a cidadania, mas não espere que os resultados venham apenas dos poderes políticos. Faça sua parte. Avalie ações com as quais você pode participar. Esforce-se para colocar em prática suas ideias. Procure parceiros e amigos. Arregace as mangas e trabalhe. Sempre que possível, procure sensibilizar as pessoas de seu relacionamento: parentes, amigos, vizinhos, colegas. Some forças. Some forças: Seja ativo em uma organização ou em um movimento de cidadania socioambiental. Procure algum grupo já existente e afilie-se a ele ou forme um grupo com seus amigos ou colegas e seja atuante. Mantenha-se em contato com outras entidades ambientalistas ou sociais, principalmente com aquelas que têm mais experiência e maior número de projetos realizados. Recrimine os atos ecologicamente incorretos: Demonstre sua insatisfação com empresas, entidades ou pessoas que pratiquem atos prejudiciais ao meio socioambiental. Não compre produtos de origem duvidosa. Não adquira nem crie animais selvagens. Boicote estabelecimentos ecologicamente incorretos e prestigie os que respeitam e protegem o meio ambiente e têm compromissos de responsabilidade social. Cuide dos resíduos: Não jogue poluentes em cursos d'água ou no esgoto. Separe o lixo reciclável, doando a entidades beneficentes os papelões, as latas de alumínio e as garrafas de refrigerante. Não deixe pilhas e baterias jogadas diretamente no meio ambiente. Cuide para que o lixo de sua casa seja acondicionado de maneira apropriada e entregue aos caminhões de coleta. Este plano é só um esboço. Acrescente-lhe ações apropriadas. Execute-as. Divulgue-as sempre em seu meio de relacionamento. Lembre-se: um soldado deve estar sempre alerta e sua batalha deve ser continuada. Comece a agir agora. A situação socioambiental do mundo de hoje exige ação imediata. Não há tempo para pausas ou descansos.
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