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Trânsito de Varginha: problema com solução
Priscila Maia
A partir de hoje no Jornal Gazeta de
Varginha serão publicadas matérias que irão divulgar
e esclarecer dúvidas dos varginhenses em relação
ao trânsito da cidade. A redação conversou com especialistas
e responsáveis pelo trafego de Varginha, que falaram desde questões
de “buracos” até congestionamento, e multas.
Nessa primeira matéria da série, o Jornal publica a realidade
dos guardas municipais na cidade. Eles que são responsáveis
pelas autuações de trânsito, e sofrem com a falta
de respeito de alguns condutores.
Menos de 10% dos varginhenses foram autuados
no trânsito
Essa estimativa é baseada apenas no ano de 2009
A Guarda Municipal – GM –
de Varginha registrou o número de 3.046 autuações
no trânsito da cidade, no ano passado. Isso segundo informações
do inspetor Maciel da GM, “a frota de veículos da cidade
é uma das maiores do Sul de Minas, chegamos a mais de 55 mil veículos.
Comparando esse dado ao número de vagas disponíveis pela
área azul do centro [pouco mais de mil vagas], podemos perceber
que o número de autuações é pequeno”,
completa.
Para o inspetor o varginhense se depara todos os dias com a falta de estrutura
do centro. E acrescenta em sua fala anterior o fato do trânsito
exigir paciência e respeito de seus condutores. Maciel afirma: “quando
digo que o número de autuações é pequeno,
me refiro a educação e tolerância que motorista deve
ter ao volante. Um trânsito como o de Varginha, senão fosse
pelos trabalhos de monitoramento e controle, seria literalmente caótico”.
Maciel explica ainda que no ano de 2009 as medidas tomadas pela GM foram
no sentido de conscientizar o condutor varginhense, e que havia uma certa
tolerância por parte dos guardas em relação ao comportamento
do motorista.
“Nesse universo onde tentamos controlar a fluidez do trânsito,
em uma cidade com ruas estreitas e que agora a Prefeitura está
buscando algumas melhorias, com um centro complicado, ainda não
podemos contar com o apoio do condutor. Isso é fundamental. A coisa
mais comum do mundo é ver no centro da cidade: motoristas que estacionam
em fila dupla, em lugares proibidos. E quando vamos falar com esse condutor
ele responde: ‘é só um minuto’. Fica complicado”,
desabafa o inspetor.
A partir de janeiro deste ano a GM vem agindo de uma outra maneira. E
mais autuações têm sido registradas. “Vimos
um resultado positivo como número de autuações. Dificilmente
um condutor autuado retorna a cometer a infração,e ainda
comenta com algum amigo o ocorrido, como forma de alertá-lo. Por
isso vemos na infração uma forma de educar no trânsito”,
ressalta Maciel.
Diferentemente das Guardas Municipais de outras cidades, a GM de Varginha
tem autoridade para efetuar autuações de trânsito.
O inspetor revela que essa ação foi constituída por
uma lei municipal. “As pessoas questionam a autoridade dos nossos
Guardas em aplicar autuações, sendo que desde 2003 por decreto
de uma lei municipal de Varginha, está garantido o direito desta
função”, ratifica.
Indústria de Multas
O inspetor Maciel afirma que em Varginha não existe uma “indústria
de multas”, como alguns imaginam que a GM lucra em aplicar autuações.
“Semana passada fomos autuar um motorista que estava estacionado
em lugar proibido. Ele se voltou para nós e disse: ‘a Guarda
deve estar mesmo precisando de dinheiro’. Ao contrário do
que muitos imaginam, o custo de se fazer uma multa é mais caro
do que o retorno que ela dá”, afirma.
De forma calma o inspetor ainda completa sua afirmação com
um desafio. Maciel diz: “eu sou o inspetor da GM, sou eu quem vê
e monitora esse trabalho. Eu desafio qualquer um que pense assim que mostre
onde está essa ‘indústria de multa’. Que prove
onde é que está o lucro dessa ação”.
A autuação feita pela GM é o primeiro passo para
a multa. Esse é um outro mito coletivo: a ação da
Guarda não é a multa definitiva, é passada para o
Departamento de Trânsito a anotação feita pelos guardas
só é efetivada como multa após uma análise.
“Depois que o Departamento de Trânsito estuda o caso, ele
quem emite a multa. E também é um direito do condutor recorrer,
se sentir injustiçado com a ação. Dentro da legislação
vigente será feito a análise que dirá se é
possível ou não o recurso”, acrescenta Maciel.
Ajuda a mais
Nos momentos de maior pico, e congestionamento, como o de 11 horas da
manhã até às 13 horas, e o de 16 horas da tarde até
às 18 horas da noite, a GM auxilia no trânsito central. “Nós
tentamos dar apoio aos motoristas nos cruzamentos principais da cidade.
Somando isso é uma função nossa também controlar
as mais de mil vagas da área azul. O que não é um
trabalho fácil, porque nosso efetivo é pequeno. Além
disso damos apoio aos serviços da Cemig e Copasa, em relação
ao trânsito”, informa.
A GM também orienta os condutores nas saídas de escolas,
período em que ocorre uma maior movimentação não
apenas de veículos como também de pedestres. “Cada
indivíduo vê o trânsito de uma forma. O pedestre tem
o motorista como um inimigo, e o condutor enxerga no pedestre um obstáculo.
Nesse ponto existe uma disputa por espaço.”
Maciel finalizando dizendo que como inspetor ele afirma que a função
da GM é “ajudar e melhorar a vida do cidadão varginhense,
e que se o trânsito tem exigido essa atenção maior
e ali que o guarda municipal estará”.
Na próxima matéria da série
serão revelados os valores de investimentos das vias públicas
da cidade. E será desmistificado o valor do IPVA arrecadado em
Varginha, mostrando que como imposto essa verba não deve ir excepcionalmente
apenas para o trânsito da cidade.
A segunda matéria da série Trânsito de Varginha: um
problema com solução, será publicada amanhã,
no Jornal Gazeta.
Jornal Gazeta de Varginha
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